SIMPLESMENTE FLÁVIO

Flávio Bolsonaro perde sobrenome nas manchetes: a maquiagem da imprensa para suavizar o ‘Zero Um’

Do mesmo modo que, em ano eleitoral, Fernando Henrique Cardoso virou FHC para se distanciar do peso do prenome Fernando e tentar uma imagem mais leve e moderna, agora Flávio Bolsonaro vira simplesmente Flávio.

Sim, o apelido FHC surgiu exatamente na campanha de 1994 para distanciar o nome do candidato do peso negativo associado a outro “Fernando” ainda fresco na memória: Fernando Collor de Mello, cujo impeachment em 1992 havia deixado o prenome “Fernando” tóxico na política brasileira — sinônimo de crise, confisco poupança, corrupção e fracasso econômico.

A estratégia de marketing foi simples e eficaz:

• Abandonar o “Fernando” completo nas propagandas, faixas, jingles e falas.
• Usar só as iniciais FHC, que soavam modernas, técnicas, quase corporativas — um sociólogo intelectual, não um “Fernando” qualquer.
• Reforçar a imagem de gestor sério, estável, oposto ao populismo collorido.

Funcionou: o Plano Real já controlava a inflação, o eleitor queria estabilidade, e FHC virou sinônimo de confiança. Ele venceu no primeiro turno com folga.

Hoje, o paralelo com Flávio é idêntico — só que invertido.

O sobrenome “Bolsonaro” carrega a rejeição alta, as polêmicas, as investigações. Tirar o “Bolsonaro” e ficar só Flávio tenta o mesmo truque: embrulhar o pacote familiar em embalagem neutra, pescar o eleitor moderado que foge do clã, mas ainda quer o DNA conservador.

A diferença?

O truque de 1994 pegou porque havia um sucesso concreto (o Real) e o “Fernando” era só um prenome genérico. Em 2026, o eleitor já conhece bem o sobrenome, as rachadinhas, os áudios, os imóveis inexplicáveis. Chamar de Flávio não apaga o rastro — só deixa mais óbvio o esforço de camuflagem. É o mesmo processo estratégico de sempre: quando o nome pesa, raspa-se o que incomoda.

Mas o eleitor brasileiro, depois de tantos truques, já deve ter aprendido: o rótulo muda, o conteúdo permanece. Sim, o eleitor brasileiro está aprendendo — e bem mais rápido do que a elite política gostaria.

As pesquisas atuais (março de 2026) mostram que Flávio Bolsonaro carrega rejeição alta (entre 44% e 46% em vários institutos como Datafolha, Alfa, AtlasIntel). Isso é o sobrenome pesando: rachadinha, imóveis, escândalos familiares grudam nele como cola. Mas o truque de virar “só Flávio” já está em curso — manchetes, pré-campanha, dancinhas em comício, discurso “moderado”, sinal de fim da reeleição para agradar ao Centrão, equipe profissional “oposta” ao estilo do pai.

O “só Flávio” pode até pescar uns indecisos do centro, mas o teto da rejeição familiar continua lá, firme, limitando o crescimento. O truque é velho.
O eleitor, não mais. Esperamos!!!!

Luis Celso

Ferreira dos Santos, nascido na cidade do Rio de Janeiro-RJ Formado em Ciências Contábeis pela UFRJ, Aposentado pelo INSS, tendo trabalhado como Supervisor no Banco da Amazônia e também como Diretor Regional do SESC e do SENAC nos Estados do Acre e de Rondônia. Cidadão Honorário Xapuriense. Cidadão Honorário Rio-branquense. Pai de cinco filhos. Filiado ao Partido Comunista do Brasil – PcdoB, identificado com aspectos sociológicos de uma comunidade, apaixonado por esportes (Principalmente futebol e vôlei) e por música popular brasileira (MPB). Cozinheiro nas horas vagas. Sonha em ver nosso imenso país transformado em uma Grande Nação.

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